Imigrante | Agricultores não associam uso inadequado de agrotóxicos ao seu estado de saúde
10/01/2018

Pesquisa do PPGAD foi realizada com 130 agricultores de Imigrante

 

     Apesar de conhecerem os problemas que os agrotóxicos podem gerar ao meio ambiente e à sua saúde, os agricultores não relacionam o uso inadequado dos agrotóxicos ao seu estado de saúde. Esse foi o resultado de uma pesquisa desenvolvida pela diplomada em Ciências Biológicas Mônia Wahlbrink, sob orientação da doutora Claudete Rempel, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) e ao PPG em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS) da Univates, realizada com 130 agricultores do município de Imigrante, no Rio Grande do Sul.

 

    Os dados foram obtidos a partir da resposta dos participantes a um questionário que abordava temáticas como o perfil do trabalhador, a utilização de agrotóxicos, a saúde, a segurança e a higiene do trabalhador. Os dados coletados apontaram que 93,8% dos respondentes eram homens e a maioria dos entrevistados possui Ensino Fundamental incompleto.

 

     A maioria declarou que começou a trabalhar ainda na infância na propriedade, em média aos 12 anos de idade. Grande parte dos agricultores de Imigrante (89,2%) disse ter conhecimento sobre os riscos que o uso de agrotóxicos pode ocasionar e nenhum afirmou comer ou fumar durante a aplicação dos agrotóxicos.

 

     Entre os entrevistados, 73,3% relataram ter sentido ao menos um sintoma de intoxicação por pesticida nos últimos seis meses, sendo o mais citado a dor de cabeça (70,2%), seguido por cansaço (52,1%) e dor no corpo (46,0%). Dos 73,3% que mencionaram ter sentido ao menos um dos sintomas, 17 agricultores (18,1%) acreditam que esses podem ter alguma relação com o uso de agrotóxicos.

 

     Quando questionados se ao longo da vida já haviam sentido algum mal-estar por ter usado agrotóxicos, 54 agricultores (41,5%) responderam que sim, sendo a dor de cabeça novamente o sintoma de intoxicação mais citado (55,6%), seguido por enjoo (48,1%) e fraqueza (11,1%).

 

     Dentre todos os agricultores participantes da pesquisa em Imigrante, 118 (90,8%) utilizam algum tipo de equipamento de proteção individual (EPI) no momento da aplicação do agrotóxico, enquanto 12 (9,2%) não utilizam nenhum tipo de EPI. Destes que utilizam EPIs, 95,0% usam botas, 93,3% usam roupa longa (calça e camisa de manga longa) e apenas 1,7% utiliza viseira.

 

     De acordo com Mônia, de maneira geral, os resultados obtidos mostram que existe um quadro de exposição humana e ambiental aos agrotóxicos. “Grande parte dos agricultores afirma conhecer os riscos que essa exposição pode ocasionar, porém é notável o uso parcial dos EPIs, bem como a não leitura e a falta de compreensão do rótulo e da bula dos agrotóxicos pela maioria dos agricultores”, analisa ela, acrescentando que foi observado que quase metade dos entrevistados já sentiu algum sintoma de intoxicação.

    O descarte inadequado das embalagens também é uma preocupação constante em relação à atividade agrícola, pois contribui para a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, podendo expor parte da população aos efeitos desses compostos.

 

     A orientadora da pesquisa, professora Claudete, destaca que os dados mostram que os estudos de percepção de riscos são importantes instrumentos para a gestão ambiental e o controle dos riscos associados ao uso de agrotóxicos no trabalho rural. “Percebe-se a importância da implementação de políticas públicas que incentivem a prática agrícola mais sustentável e que reduzam a vulnerabilidade a que os agricultores e o meio ambiente estão expostos”, explica ela. Claudete afirma ainda que é necessário também incentivar o enfoque agroecológico e o desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis, “o que contribui para a manutenção da capacidade produtiva e a diminuição dos efeitos negativos que os agrotóxicos causam à saúde humana e ao meio ambiente”, finaliza ela.

 

     O estudo foi publicado na Revista Brasileira de Ciências Ambientais (RBCIAMB), disponível aqui.

 

Dados do gráfico

Perfil dos respondentes

Total de respondentes: 130

Homens 93,8%

Mulheres 6,2%

Escolaridade: Ensino Fundamental incompleto 83,1%

Relação de trabalho: Proprietário 85,4%

Idade média 54,7 anos

Média de idade com a qual começou na atividade rural 12,0 anos

Tempo médio de utilização de agrotóxico (em anos) 18,1 anos

 

Principais sintomas reportados

73,3% relatam ter sentido ao menos um dos sintomas nos últimos seis meses

 

Sintomas mais citados foram dor de cabeça (70,2%), seguido por cansaço (52,1%) e dor no corpo (46%)

 

Mal estar

54 agricultores (41,5%) responderam já ter sentido mal estar após uso de agrotóxicos.

 

Dor de cabeça foi novamente o sintoma de intoxicação mais citado (55,6%), seguido por enjoo (48,1%) e fraqueza (11,1%).

 

Uso de Equipamento de Proteção Individual

118 (90,8%) utilizam algum tipo de EPI

12 (9,2%) não utilizam nenhum tipo de EPI

 

EPI’s mais utilizados

95,0% usam botas;

93,3% usam roupa longa

1,7%  utilizam viseira

 

Texto: Nicole Morás

Foto: Divulgação

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Resultado da loteria

Extração nº 5328
Realizada em 17/10/2018
1º - 24900
2º - 48865
3º - 07935
4º - 41198
5º - 73212

Recados

03/10/2018 18:09:19
jerry
Por favor, Toca aí Porto Seguro-Andra Machado: https://www.youtube.com/watch?v=Ybyi7adWIvI Download: https://soundcloud.com/evelynsuzany Download: https://www.palcomp3.com/andramachado

01/10/2018 16:08:15
Vera
Estou curtindo muito.

28/09/2018 09:32:05
Vanessa Alesgut
JD é o meu locutor preferido manda um beijo para ele!

23/09/2018 11:27:25
Joares (leis)
Ouvindo a rádio online


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