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O encontro contou com painéis em que foram evidenciadas as ações emergenciais iniciadas logo após a tragédia climática de maio de 2024: |
Um grupo de cerca de 80 pessoas, entre agricultores, técnicos, representantes de entidades e lideranças, ocupou o salão da Igreja São Pedro Canísio, na comunidade de Arroio do Ouro, em Estrela, na terça-feira (02/12), para o evento de encerramento das ações do Plano Recupera Rural RS do ano de 2025, no Vale do Taquari. O objetivo do evento foi apresentar os resultados do ano em ações de reconstrução frente aos eventos climáticos e ouvir os moradores para estabelecer, de forma coletiva, as diretrizes de trabalho para 2026.
Organizado pela Emater/RS-Ascar e pela Embrapa Trigo, em parceria com outras instituições públicas e privadas, o encontro contou com painéis em que foram evidenciadas as ações emergenciais iniciadas logo após a tragédia climática de maio de 2024 e que foram focadas em recuperação do solo, implantação de plantas de cobertura e acompanhamento técnico das lavouras de inverno. “Uma série de práticas que procurou atenuar os efeitos devastadores das águas”, aponta o extensionista da Emater/RS-Ascar Álvaro Trierweiler.
Responsável por um dos painéis, Trierweiler salientou a importância da recuperação da fertilidade do solo, ainda mais em um município como Estrela, que teve mais de 20% de seu território tomado pela água. Nesse sentido, foram várias as análises de solo, que possibilitaram avaliar o estado nutricional do solo. Em outra etapa, o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves deu destaque às ações da Plataforma Colaborativa Sul que visa mitigar efeitos climáticos adversos na agropecuária.
Em uma segunda etapa, a plenária foi dividida em dois grupos para realização de uma metodologia de “nuvem de palavras”. Nela, os agricultores responderam com frases curtas quais os desafios e prioridades para fortalecer sua recuperação e resiliência, e que tipos de apoio das instituições presentes seriam mais úteis. Já as empresas parceiras apontaram quais capacidades, recursos ou competências cada entidade pode mobilizar para fortalecer a comunidade e ampliar a resiliência diante de eventos climáticos extremos.
“A intenção foi ouvir o produtor e construir um cronograma participativo de trabalho visando o ano que vem”, aponta o pesquisador da Embrapa Clima Temperado Ernestino Guarino. Para o profissional, um dos desafios foi compreender como a comunidade percebe seus próprios anseios e de como deseja reconstruir esses espaços. “É importante que o produtor diga com suas próprias palavras, de forma direta, o que é importante nesse contexto”, aponta, citando o caso das estradas rurais e a busca por melhorias na infraestrutura.
O produtor de grãos Fernando Mallmann, de Arroio do Ouro, valorizou a iniciativa, afirmando ainda que o apoio das entidades tem sido fundamental para a permanência na atividade rural. “Na enchente de maio perdi todos os meus animais”, recorda, mencionando as 28 vacas que foram levadas pelas águas. O recomeço veio com doações, esforço coletivo e uma série de políticas públicas nas mais variadas esferas. “Tudo contribui nesse momento, seja na hora de recuperar solo, acessar sementes ou ter assistência técnica”, avalia.
O evento contou ainda com a presença de outras lideranças, como a prefeita de Estrela, Carine Schwingel; o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra; o representante da Secretaria de Meio Ambiente e infraestrutura do Estado, Valmir Zanatta; a presidente do Instituto Retomada, Virgínia Pies; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rogério Heemann; e a representante do Sicredi, Neiva Huwe. Todos saudaram a iniciativa e o esforço coletivo de suporte na reconstrução de vidas, para muitas famílias que perderam tudo.