|
Reunião antecedeu o IV Congresso Internacional de Educação e reuniu representantes do sistema de justiça, gestão pública e educação para avaliar e projetar avanços nas práticas restaurativas |
No dia 11 de fevereiro, o Colégio Teutônia sediou encontro que antecedeu a programação do IV Congresso Internacional de Educação, realizado nos dias 12 e 13, com o tema “Círculos de saberes: por uma educação humanizada”.
A reunião contou com a participação de representantes do sistema de justiça, da gestão pública e da educação, entre eles 36 facilitadores de Círculos de Construção de Paz. A iniciativa teve como foco avaliar o trabalho já desenvolvido na região e refletir sobre os próximos passos no fortalecimento da Justiça Restaurativa.
Entre os participantes esteve Kay Pranis, pesquisadora e uma das maiores referências mundiais em Círculos de Construção de Paz e Justiça Restaurativa, que também palestrou no Congresso com o tema “Tecendo a paz: práticas restaurativas no ambiente escolar”.
Durante o encontro, Kay incentivou a reflexão sobre o papel dos facilitadores no contexto atual. “Não sou dona das respostas, as respostas estão na sabedoria coletiva”, afirmou, destacando que o avanço nas práticas restaurativas passa pelo compartilhamento de dificuldades e sucessos.
Segundo ela, não existe um mapa pronto. “Tudo é um processo constante de aprendizagem. Precisamos seguir tentando, avaliando constantemente o que fazemos. Nem tudo vai funcionar”, pontuou, ressaltando que todos são corresponsáveis pelo processo, que se fundamenta em aspectos da natureza humana.
Kay também reforçou que a Justiça Restaurativa não rebate a violência, mas busca desviá-la, promovendo a compreensão da situação a partir do olhar do outro e da origem dos conflitos.
Ecossistema de cuidado
O promotor de Justiça de Lajeado, Sérgio da Fonseca Diefenbach, apresentou os projetos de Justiça Restaurativa desenvolvidos no Vale do Taquari, destacando que as lições lançaram raízes profundas na região, em um trabalho pautado por segurança, cuidado e tranquilidade. “Teutônia é exemplo desse trabalho. Temos um ecossistema de segurança e cuidado, formado por pessoas, não apenas instituições, que se reúnem para pensar e agir de forma integrada”, ressaltou.
Diefenbach também trouxe relatos das ações conduzidas pela Promotoria de Lajeado e destacou o projeto Pacto pela Paz, desenvolvido no município em parceria com as escolas. Para ele, é fundamental discutir caminhos em um período que se mostra pouco pacificado em diferentes instâncias sociais.
Formação consolidada
Em Teutônia, a formação de facilitadores em Justiça Restaurativa teve início em 2013. Atualmente, o município conta com cerca de 50 facilitadores capacitados, todos servidores públicos. Em 2023, o Colégio Teutônia ampliou essa rede ao oportunizar formação a todos os seus professores.
A orientadora educacional do Colégio Teutônia, Rosa Maria Schneider, destacou que a prática já está incorporada à rotina escolar. “Aqui no Colégio Teutônia temos realizado muitas rodas de conversa e círculos de construção de paz em todas as turmas, desde a Educação Infantil até os cursos da Educação Profissional. A reunião é uma forma de incentivo à continuidade do trabalho que já vem sendo realizado, fortalecendo as ações desenvolvidas e trazendo novas perspectivas com olhar atento à justiça restaurativa no que tange à reparação”, afirmou.
A presença de Kay Pranis no encontro teve justamente o objetivo de ouvir os facilitadores e como a rede pode avançar no enfrentamento de diferentes formas de violência, incluindo o feminicídio e a violência contra animais, consolidando Teutônia como referência regional na construção de uma cultura de paz.
TEXTO – Leandro Augusto Hamester